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O que você está fazendo com a droga da sua vida?


Essa questão tem me martelado faz algum tempo. O que exatamente estamos fazendo com o nosso tempo, fôlego e planos? Trabalhar, comer, cagar e interagir com o mundo pelo Facebook?

Quando criança perguntavam-me ” O que você quer ser quando crescer? ” – Nunca me ocorreu dizer: ser  uma neurótica preocupada em pagar as contas e prover o sustento da minha filha. Sempre respondi: quero ser artista, sim, aquele ser boêmio e despreocupado que vive de vento ( na opinião das avós ).

Só que naquela época boa eu não sabia que o preço dos alimentos iriam ser o abuso que são, que tudo tem um imposto espreitando, lhe dizendo para trabalhar mais e viver menos. A vida era o simples aceitar tudo dos meus pais e esses me davam brinquedos, chocolates, roupas bonitas e uma noção de que você só é feliz quando tem, não quando é.

Eu tenho um carro, uma casa, 10 prestações da minha viagem para a Disney , roupas da moda e uma bota da Arezzo, que meudeus, causa inveja nas inimigas. É isso mesmo que você quer? Passar 50 anos da sua vida mostrando e os últimos 20 lamentando que não viveu?

Pensei muito sobre o que quero passar para a minha filha, não quero e nem ambiciono uma vida eremita no meio da floresta, mas não quero que ela acredite, igual muitas pessoas que conheço, que somos aquilo que temos. Que nossa importância está naquilo que provemos. Não quero que o meu último ato final seja uma herança. Não quero ser a mãe que diz para a filha desistir do sonho porque ele não paga as contas no final do mês.

Mas perá lá! E as contas? Ela existem, não são uma aparição fantasmagórica. Poxa, será abdicar de tudo que queremos a única forma de viver? O consumismo exagerado que nós faz passar 10, 20, 30 anos apenas gerando e consumindo logo depois.  Quando vemos temos tudo que não precisamos para ser feliz e uma carência do essencial sem precedentes.

Rain_big

Esse é um velho discurso que está sendo proclamado aos 7 ventos pela internet toda e é o único que concordo que seja repassado com todas as palavras possíveis. Porque estamos consumindo muitos remédios para sorrir, muitos alimentos para prover regimes, muitos decibéis para pouca produção.

Meu marido é ilustrador e eu sei fazer muitas coisas, mas o sonho mesmo é escrever até meus dedos caírem. Temos casa, contas, filha e toda responsabilidade reservada para pessoas que adentram esse mundo, eu já dei tantas crises sobre dinheiro que me cansei. Estava tendo dor de estômago porque achava que precisava de mais para Helena – só que Helena precisa muito mesmo é de amor do que de tudo que me dizem que é importante: um bom colégio, boas roupas, viagens na adolescência, uma faculdade de nome, etc etc.

O plano é conseguir boas condições de vida para ela e para nós, gastando menos e produzindo mais.

E o plano começa aqui, nesse blog, olha só.

Ele começou a existir quando tinha 16 anos e minha primeira filha tinha acabado de falecer. Eu havia entrado no limbo, era uma mãe adolescente de uma filha morta, tinha cometido todos os crimes da sociedade purista – estava condenada a não ser ninguém – e acredite, eu ouvi isso muitas vezes. Porque não basta ter que ter dinheiro para comprar tudo que vende nas casas Bahia, você tem que ser uma pessoa sociável com faculdade de administração e fã de pizza.

Acho que o que falta do mundo não são ótimos salários, mas ideias incríveis. É paixão.

Aqui foi meu cantinho da depressão, escrevi muita idiotice, apaguei quase todas. Depois começou a ser meu estudo sobre arte. Depois virou lugar para compartilhar o que gosto.

Finalmente este blog será aquilo que sou. Se antes só havia imagens porque tinha vergonha de escrever, isso acabou.

No dia 24 de dezembro de 2013 este blog irá mudar, até lá, aguardem por favor. Bem ao lado tem uma caixa com contagem regressiva e fiquem de olho na nossa página do Facebook, em breve teremos um sorteio de inauguração da nova fase.

Estamos em fase de mudança e é possível enquanto escrevo sentir o cheiro de terra molhada, porque a chuva está caindo e levando velhos hábitos com ela.

 

Ilustração de: Jing Wei.

 

 

 

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